Técnica experimental para reverter impotência sexual poderá ser oficial

Técnica experimental para reverter impotência sexual poderá ser oficial

Procedimento inédito é desenvolvido pela Unesp de Botucatu, SP.
Sendo oficial, cirurgia poderá ser indicada no tratamento da disfunção erétil.

Uma pesquisa realizada por médicos brasileiros da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu (SP) poderá ser adota nos tratamentos para corrigir os casos de disfunção erétil, que podem causar impotência sexual, resultantes da Prostatectomia radical (a retirada da próstata) em casos de câncer.

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A cirurgia religa os nervos que foram rompidos durante a retirada da próstata revertendo o problema da impotência sexual, que segundo estudos realizados na área atinge de 20 a 50% dos homens que passam pelo procedimento.

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O projeto, ainda de caráter experimental, é inédito no Brasil e no exterior, segundo o professor José Carlos Souza Trindade, urologista e coordenador do projeto de “reinervação peniana”. A origem dessa proposta decorre de um trabalho experimental em ratos, feito na faculdade em 1994. Os resultados da pesquisa serão publicadas em uma revista científica internacional aind este ano, a qual será submetida a uma avaliação crítica pelo corpo editorial.

“Assim que a técnica se tornar oficial e ganhar o reconhecimento dos especialistas da área, a mesma poderá ser indicada no tratamento dos pacientes com disfunção erétil, consequente à cirurgia de prostatectomia radical e que não responderam aos tratamentos médicos tradicionais”, ressalta o professor.

A cirurgia
A técnica consiste em retirar um pedaço de cerca de 30 centímetros de um nervo na perna, dividir esse nervo em dois pedaços de 15 centímetros cada e fazer um enxerto no nervo lesado da face lateral do pênis (Veja o vídeo ao lado, divulgado na campanha Novembro Azul do ano passado e que mostra como o procedimento é feito).

Segundo o coordenador da pesquisa, os efeitos colaterais são pequenos. “Quando retiramos o nervo da perna do paciente (nervo sural), ele fica com a face lateral do pé como se estivesse permanentemente anestesiada. Mas é algo leve, que a pessoa nem se importa.”

Depois da cirurgia, que é considerada pouco invasiva, o paciente vai para casa em até 48 horas e o fim da impotência sexual pode acontecer em até 2 anos porque é necessário que fibras cresçam a partir do nervo enxertado e façam a ligação com o nervo do pênis. O projeto foi aprovado pelo CONEP (Conselho Nacional de Ética em Pesquisa) em Brasília, em fevereiro de 2011 e a primeira cirurgia foi realizada em março de 2011.

Nos 10 primeiros pacientes operados entre março de 2011 e março de 2013 apresentaram 60% de resultados satisfatórios. Em 3 casos, em que além da prostatectomia radical os pacientes receberam tratamento radioterápico, os resultados, até o momento, não foram satisfatórios, embora esses pacientes tenham apresentado ereção parcial, mas não suficiente para a penetração.

Os outros 10% já está apresentando ereção parcial, mas ainda não conseguiu a penetração. “Outros pacientes já foram submetidos á reinervação peniana, mas a maioria deles tem menos de 6 meses e ainda não houve tempo suficiente para avaliação dos resultados, que é de no mínimo dois anos”, explica o professor.

Procedimento faz uma ligação dos nervos rompidos na retirada da próstata com o nervo femural (Foto: Reprodução / TV TEM)
Procedimento faz uma ligação dos nervos rompidos na retirada da próstata com o nervo femural (Foto: Reprodução / TV TEM)
Experiência positiva
Para o advogado José do Carmo Seixas Pinto Neto, de 61 anos, a cirurgia foi um sucesso, como ele mesmo afirma. “Voltei a ter vida, fiquei muito inseguro depois de operado, mas logo foi crescendo a segurança”. José fez a cirurgia de retirada da próstata em 2007 e a de religamento dos nervos há 3 anos. Durante o tempo que a virilidade poderia voltar sem intervenção cirúrgica ele não teve sucesso, mas nunca desistiu e assim que surgiu a oportunidade de se voluntariar para a pesquisa, logo fez.

“Tinha uma vida sexual ativa e acabou. Tinha que criar alternativas para ter relações sexuais, mas queria algo natural.” O paciente conta que foi o primeiro a ter bons resultados na pesquisa, um ano depois da procedimento. Apesar de incentivar os amigos a fazerem a cirurgia, ele percebe que muitos têm medo do processo. “A operação é a coisa mais simples, mas tem gente que tem medo.”

Viúvo há 25 anos, José não tem problemas em falar sobre o assunto de disfunção. “Não tenho vergonha, receio, foi um fato que aconteceu na minha vida, como qualquer outro. Em casa até virou ‘zuação’”, brinca sem constrangimento. Mas ele alerta que além da cirurgia, outros fatores envolvem a volta da virilidade. “O cheiro, o toque, a liberdade, são vários fatores que interferem.”

Por isso, o grupo da pesquisa também oferece tratamento psicológico para os pacientes que queiram fazer um acompanhamento, mas o advogado afirma que é bem resolvido com o assunto e incentiva os homens a fazerem a cirurgia. “Sou um grande incentivador da pesquisa. Torço pelo sucesso.” Animado com os resultados, José conta que não é o único que ficou feliz com os efeitos. “Cada vez que eu ia nas consultas e contava as novidades, a equipe vibrava com as melhorias. É tudo novo para mim e para eles.”

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